União das Repúblicas Socialistas Soviéticas

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Союз Советских Социалистических Республик
União das Repúblicas Socialistas Soviéticas

Federação


 

 

 

1922 – 1991
Flag Brasão
Bandeira Brasão
Lema nacional
Пролетарии всех стран, соединяйтесь!
(em russo Trabalhadores do mundo, uni-vos!)
Hino nacional
A Internacional (1922-1944)
Hino da União Soviética (1944-1991)
Localização de União Soviética
Continente Eurásia
Capital Moscou
Língua oficial Russo e outras 14 línguas
Governo Estado socialista
Secretário-geral do PCUS
 • 1922-1924 Vladimir Lenin
 • 1924-1953 Josef Stalin
 • 1953-1964 Nikita Khrushchov
 • 1964-1982 Leonid Brezhnev
 • 1982-1983 Yuri Andropov
 • 1984-1985 Konstantin Tchernenko
 • 1985-1991 Mikhail Gorbatchov
História
 • Tratado da URSS 30 de Dezembro de 1922
 • Vitória sobre a Alemanha 9 de Maio de 1945
 • Lançamento do Sputnik 1 4 de Outubro de 1957
 • Dissolução 9 de Dezembro de 1991
População
 • 1991 est. 293 047 571 
Moeda Rublo
Precedido por
Sucedido por
RSFS da Rússia
Transcaucásia
RSS da Ucrânia
RSS da Bielorrússia
Comunidade de Estados Independentes
Estónia
Letónia
Lituânia
Rússia
Geórgia
Membro de: SDN, ONU, Pacto de Varsóvia, COMECOM

A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (em russo: Союз Советских Социалистических Республик - CCCP, transl. Soyuz Sovetskikh Sotsialisticheskikh Respublik, pronuncia-se Sayuz Savietskikh Sotsyalistitcheskikh Respublik), também conhecida por União Soviética ou simplesmente URSS, foi um país de proporções continentais, que cobria praticamente um sexto das terras emersas do planeta, fundado em 30 de dezembro de 1922 pela reunião dos países que formavam o antigo Império Russo, na Europa e na Ásia. O número de repúblicas que o constituíram variou ao longo do tempo, mas foi de quinze durante a maior parte da existência do país. A União Soviética foi uma das duas superpotências durante a Guerra Fria. A União dissolveu-se oficialmente em 26 de dezembro de 1991.

Índice

[editar] Repúblicas soviéticas

Ver artigo principal: Repúblicas da União Soviética
*RSFS da Rússia *RSS da Ucrânia *RSS da Bielorrússia
*RSS do Uzbequistão *RSS do Cazaquistão *RSS da Geórgia
*RSS do Azerbaijão *RSS da Moldávia *RSS do Quirguistão
*RSS do Tadjiquistão *RSS da Armênia *RSS do Turcomenistão
*RSS da Estônia *RSS da Letônia *RSS da Lituânia
*RSS da Abecásia (1921-31) *RSFS Transcaucasiana (1922-36) *RSS Carelo-Finlandesa (1940-56)

[editar] História da União Soviética

Ver artigo principal: História da União Soviética

A história da União Soviética começa com a Revolução de 1917 numa tentativa de implementar o comunismo a larga escala por Vladimir Lenin, até ao colapso da União Soviética em 1991, quando o seu governo centralizado foi dissolvido.

[editar] Revolução de 1905

Ver artigo principal: Revolução Russa de 1905

O ano de 1905 é considerado o prólogo da Revolução Russa. A Rússia Czarista acabara de ser derrotada numa guerra contra um Japão pequeno e tecnologicamente atrasado. A derrota abalou a popularidade do Czar Nicolau II, e a revolta interna que se seguiu serviria de precedente para a revolução de 1917.

[editar] Revolução de 1917

Ver artigo principal: Revolução Russa de 1917

O Partido Operário Social-Democrata, dividido nas correntes Bolchevique e Menchevique, em russo maioria e minoria respectivamente - iniciou a Revolução Russa em 1917, em duas etapas distintas. A queda do czar ocorreu em fevereiro, sendo instaurada então uma república cuja estrutura de poder desde cedo se dividiu entre um parlamento convencional e sovietes (conselhos) populares que não se reconheciam mutuamente. As tensões assim geradas desembocaram na Revolução de Outubro, em Novembro de 1917. O atraso da Rússia czarista pode ser evidenciado pelo calendário adotado: o Juliano, em desuso no ocidente desde a adoção do calendário gregoriano no século XVI e adotado pela Rússia até fevereiro de 1918. Entre estes dois calendários há um atraso de 13 dias. Essa é a razão de que os meses em que ocorreram estes movimentos não coincidem com os nomes a eles atribuídos.

[editar] Guerra Civil

Ver artigo principal: Guerra Civil Russa

Entre 1918 e 1922, logo após a Revolução Bolchevique, teve início a Guerra Civil na Rússia, entre os revolucionários (exército vermelho) e os contra-revolucionários (exército branco), que tiveram o auxílio de tropas estrangeiras de intervenção, enviadas pela França, Reino Unido, Japão e Estados Unidos e mais 13 países.

[editar] Nova política econômica

Lenin implementou a Nova Política Econômica (NEP), que recuperou alguns traços de capitalismo para incentivar a nascente economia soviética. Desta forma, o PC russo e o governo dos sovietes pretendiam reconstruir a economia russa devastada pela invasão estrangeira e pela resistência das classes proprietárias a perda de seus incomensuráveis privilégios. A NEP, segundo Lenin, consistia num recuo tático caracterizado pelo restabelecimento da livre iniciativa e da pequena propriedade privada, admitindo o apoio de financiamentos estrangeiros. Lenin teria dito: "Um passo atrás para dar dois à frente".

[editar] Economia planificada e expurgos

No ano de 1936, o regime de Josef Stalin expulsou ou executou um número considerável de membros do Partido, entre eles muitos dos seus opositores, nos atos que ficaram conhecidos como os "Grandes Expurgos".

Apesar de tudo, eles acreditavam que este seria o caminho para o comunismo, mas o rumo dessa forma social já estava traçado de forma totalmente distinta do que Marx e Lenin pensavam, não mais sendo uma forma voltada para a dissolução do próprio Estado e das classes sociais, mas agora, o regime sob o comando de Josef Stalin, já era uma forma social voltada para a cristalização (a idéia de socialismo dentro de um só país). Entre as coisas que foram feitas com esse efeito contam-se as nacionalizações e a aniquilação física da classe burguesa que o NEP havia recriado, com recurso aos gulags (campos de trabalho na Sibéria). Alguns teóricos criticam esta forma que Stalin utilizou para liquidar a propriedade privada, por não concordarem com ela, e por acharem que ela só mancha a imagem do comunismo perante o mundo pois o mesmo efeito poderia ter sido obtido sem a aniquilação física daquela classe. O desastre e a truculência autoritária das políticas stalinistas contribuíram muito para a deturpação do conceito criado por Marx, de ditadura do proletariado.

Após as nacionalizações, a economia foi planificada, de modo a que esta pudesse tirar proveito da sua nacionalização. De 5 em 5 anos passou-se a realizar planos quinqüenais, nos quais se decidiam que fundos seriam aplicados e em que áreas.

[editar] Grande Guerra Patriótica

De 1941 a 1945, a participação da União Soviética na Segunda Guerra Mundial ficou conhecida como a Grande Guerra Patriótica, combatendo os soviéticos contra as forças invasoras da Alemanha nazi, ao lado dos Aliados ocidentais.

A Barbarossa (como foi chamada a operação de invasão da União Soviética pela Alemanha) teve início em 22 de Junho de 1941 quando três grupos de exércitos, totalizando mais de 191 divisões da Alemanha e seus aliados, atravessaram as fronteiras da então União Soviética. O Grupo de Exércitos Norte comandado por Von Leist tinha como objetivo ocupar as bases navais do mar Báltico e tomar Leningrado (segunda maior cidade e berço da revolução comunista) o Grupo de Exércitos Centro, comandando por Von Bock, visava avançar pela estrada de ferro de Varsóvia a Moscou ocupando as cidades de Minsk, Smolensk, Viazma e Moscou (maior cidade e capital do Poder Soviético). E o Grupo de Exércitos Sul, comandado por Von Rudstedt, pretendia ocupar toda a Ucrânia (o "celeiro" da nação, pela grande produção de cereais). O avanço das tropas do Eixo foi fixado no seu avanço máximo em torno da linha que ia de Arkhangelsk ao norte e Astrakhan ao sul.

O Exército Vermelho (assim chamado desde os tempos da guerra civil), apesar dos avisos vindos de várias fontes, foi apanhado de surpresa, fato este que possibilitou o fácil e rápido avanço das forças invasoras. Passando a surpresa inicial e arregimentado pela liderança do líder soviético Josef Stalin, os povos de todas as repúblicas soviéticas conseguiram resistir - no entanto, não sem sofrerem numerosas perdas humanas e materiais, tendo um terço do território na Europa (a mais rica e populosa) caído na mão do inimigo. Calcula-se que perto de 5 milhões de soldados do Exército Vermelho tenham sido mortos, capturados ou feridos nos primeiros 6 meses da guerra.

Apesar das significativas vitórias dos exércitos nazi-fascistas nas batalhas de Minsk, Smolensk, Viazma e Kiev, entre outras, a tenacidade da resistência dos soldados soviéticos, acrescentada pela mobilização do povo soviético diante do inimigo, fez com que a máquina de guerra nazista não alcançasse seus principais objetivos, que eram destruir o exército soviético e conquistar as principais cidades do país: Leningrado e Moscou.

A estratégia do Alto Comando Soviético (Stavka) no início facilitou a invasão, pois determinou que todas as unidades militares onde estivessem seguissem em direção à fronteira para barrar o avanço do inimigo. Com isso, as operações de cerco e destruição ficaram mais fáceis para os exércitos alemães. A partir de Outubro de 1941, com a reorganização do comando soviético, a estratégia adotada era de resistir onde era possível e retirar-se para ganhar tempo. Enquanto as operações estavam em andamento, ao mesmo tempo, iniciava-se uma grande operação de evacuação de toda a indústria e maquinaria que pudesse ter algum valor militar. O material foi transferido para os montes Urais, Ásia Central Soviética e para a Sibéria. O que era deixado para trás era destruído na retirada (a chamada "política da terra arrasada"). Enquanto isso, na retaguarda, as populações deixadas para trás organizavam grupos de guerrilha e sabotagem, prejudicando a logística das forças invasoras.

Esse nível de atrito era até então desconhecido pelos alemães (calculam-se em um terço as perdas das forças nazistas nos primeiros seis meses), que até então tinham obtido diversas vitórias (Polônia, França, Países Baixos, Bélgica, Noruega, Dinamarca, Iugoslávia, Luxemburgo e Grécia) com perdas insignificantes.

Na batalha de Moscou, os soviéticos comandados pelo Marechal Georgy Zhukov finalmente conseguiram deter os alemães. A partir de Dezembro de 1941, em pleno inverno, iniciaram uma grande contra-ofensiva que fez ruir por terra a Blitzkrieg (guerra relâmpago) nazista.

Os soviéticos conseguiram "empurrar" os alemães de volta à Alemanha para, por fim, aí derrotar os seus exércitos. Quando as tropas soviéticas estavam em Berlim, pouco antes de alcançarem Hitler, ele suicidou-se (30 de Abril de 1945).

[editar] "Desestalinização"

Ver artigo principal: Era Khrushchov-Brejnev

Stalin morreu em 5 de março de 1953, deixando um vazio de poder que levou a uma disputa interna no PCUS (Partido Comunista da União Soviética) pela liderança, entre Malenkov, Beria, Molotov e Khrushchov - este último vencedor. Como sucessor de Stalin, Khrushchov empreendeu uma política de denunciar os abusos do seu antecessor. Durante o Congresso de 1956 do PCUS, Khrushchov divulgou uma série de crimes de Stalin, renegando a herança do estalinismo, estabelecendo, assim, uma nova postura e criando um novo paradigma para o comunismo internacional. A propaganda capitalista se utilizou muito dos argumentos engendrados por Khrushchov para fazer frente à URSS.

Não existe consenso quanto à contagem de vítimas do stalinismo. Determinadas estatísticas afirmam que entre 20 a 35 milhões de soviéticos morreram por fome, frio ou executados em campos de concentração ou de trabalhos forçados durante a época de Stalin.[1]

[editar] Corrida espacial

Ver artigo principal: Programa espacial soviético

Como resultado da guerra fria, a União Soviética viu-se envolvida em uma corrida pela conquista do espaço com os EUA. A União Soviética foi a nação que tomou a dianteira na exploração espacial ao enviar o primeiro satélite artificial, o Sputnik, e o primeiro homem ao espaço, Yuri Gagarin. Grande parte dos feitos espaciais da União Soviética devem-se ao talento do engenheiro de foguetes Sergei Korolev, o engenheiro-chefe do programa espacial soviético, que convenceu o líder Nikita Kruschov da importância da conquista do espaço.

[editar] Estabilidade, estagnação e início da crise

Entre 1956 e meados dos anos 1960, a União Soviética atingiu seu auge geopolítico e tecnológico. Foi a fase de maior crescimento econômico, envolvendo o esforça da reconstrução pós-II Guerra Mundial e a competição com os EUA no início da Guerra Fria. Entretanto, a partir dos anos 1970 começam a ficar claras as limitações do modelo soviético de economia planificada. A estagnação econômica e os gastos militares excessivos crescentes começavam a comprometer os bons indicadores sociais e o crescimento econômico.

As taxas de crescimento econômico, que nos anos 1950-1960 variaram de 5 a 8%, caiam para menos de 3%, até atingir crescimento zero na primeira metade dos anos 1980. Em 1980 a URSS deixa de ser a segunda maior economia do mundo e é ultrapassada pelo Japão. Em 1990, com a reunificação alemã, torna-se cai para o posto de quarto maior PIB mundial. Este quadro piora rapidamente com a nova crise da transição para o capitalismo nos anos 1990, quando a Rússia cai torna-se o 15o PIB mundial.

Como a estagnação dos anos 1970 se transformou em uma crise profunda nos anos 1980 a ponto de desestruturar a economia soviética é objeto de discusões até os dias de hoje. A comparação com a China que realizou uma transição mais bem sucedida para o capitalismo tem auxiliado a avaliar melhor o peso dos fatores estrutrurais e cojunturais nesta crise.[2]

Em termos estruturais a economia planificada talvez tenha sido a principal responsável pela crise, pois exigia que tudo que fosse produzido em todos os setores da economia estivesse planejado nos planos quinquenais. Na prática isto criava distorções, como excesso de determinados produtos (indústrias de base e de bens de capital) e escassez de outros (bens de consumo). Quando a produção de determinado produto era insuficiente para atender o consumo, ao invés dos preços subirem até inibir a demanda (como costuma ocorrer em uma economia de mercado) os produtos simplesmente se esgotavam e desapareciam da lojas e prateleiras dos supermercados.

Na prática os planos quinquenais tornavam a economia pouco flexível para enfrentar as flutuações de mercado internas ou externas. Quando havia uma seca ou problema na agricultura, e a produção de um determinado produto, por exemplo trigo, era inferior ao planejado, isto gerava uma série de problemas, pois faltava farinha e pão, e as metas de produção destes produtos também não era atingida.

A economia planificada também acabou sendo direcionada para o fortalecimento dos setores industriais mais tradicionais, que tinham mais capacidade de lobbie junto à burocracia do partido. Assim, as grandes estatais, por exemplo do ramo siderúrgico, conseguiam mais verba para expandirem sua produção, mesmo quando havia excesso de aço na economia soviética. Os setores de bens de consumo tammbém eram relegados ao segundo plano e recebiam menos investimentos em tecnologia. A maior parte da inovação tecnológica ficava concentrada nos setores bélico e aeroespacial, e diferentemnte dos Estados Unidos, onde as tecnologias duais eram transferidas para o setor civil (onde geravam novos produtos), na URSS as inovações eram tratadas como segredo de Estado e não contribuiam para dinamizar a economia. Em suma, os planos quinquenais acabavam priporizando o setor da indústria bélica em detrimento dos setores civis.


[editar] A crise nos anos 1980

A estagnação econômica da União Soviética transformou-se em crise ainda nos anos 1970. Entretanto alguns fatores permitiram que a URSS mantivesse uma economia planificada por mais tempo. A distensão da Guerra Fria permitiu alguma redução dos gastos militares. A alta dos preços do petróleo (1973 e 1979-1980) e das comodities agrícolas permitiu que o país conseguisse aumentar as exportações totais, principalmente em moeda forte. O aumento das exportações permitiu que a URSS continuasse a enviar ajuda militar e econômica aos aliados pobres (principalmente na África), ao mesmo tempo em que reinjetava recursos na economia nacional. Entretanto a mudança de estratégia dos Estados Unidos no fim dos anos 1970 e início dos 1980, com a retomada da Guerra Fria e da corrida armamentista, iria aprofundar a crise soviética.

Os custos militares da Guerra Fria já estavam insustentáveis para a URSS no fim dos anos 1970. O pais mantinha forças armadas de quase dois milhões de homens, sendo 1 milhão mobilizados na Europa Oriental. Quando a China se aproxima dos EUA nos anos 1970 e passa a ameaçar a URSS a situação piora. A China estacionou quase 1 milhão de homens nas fronteiras com a União Soviétia, e para contrabalançar, esta teve que estacionar outro 1 milhão de homens na fronteira com a China. Os custos desta mobilização permanente começavam a se mostrar insutentáveis no início dos anos 1980 com o envolvimento soviético no conflito do Afeganistão.

A partir de 1978-1979 os Estados Unidos e alguns de seus aliados, como a Arábia Saudita, começaram a financiar e armar os mujahidins fundamentalistas islâmicos no Afeganistão, para que estes lutassem contra o governo socialista que havia se instalado neste país. Na prática os EUA criaram uma armadilha, que foi uma espécie de "Vietnã" para a União Soviética (nas palabras do então Conselheiro de Segurança do governo americano Zbigniew Brzezinski). Ou seja, uma guerra longa, com altos custos econômicos e humanos, sem chances de vitória, lutando contra um inimigo disperso e determinado, que recebia ajuda militar da outra superpotência rival.

Os custos da Guerra do Afeganistão (1979-1989) foram altíssimos para uma economia em crise como a soviética e acabaram tendo o efeito imaginado pelos EUA: estenderam ao máximo e desgastaram profundamente a capacidade econômica e militar da União Soviética. Aos custos da Guerra no Afeganistão somavam-se os custos crescentes da ajuda que o país tinha que enviar a países socialistas muito pobres e em guerra civil, como Angola, Moçambique e Etiópia, cujos governos enfrentavam o recrudescimento dos conflitos internos contra insurgentes apoiados pelos EUA.

Com a queda nos preços internacionais das comodities agrícolas, e principalmente do petróleo, entre 1984 e 1985, a URSS perdeu a principal fonte de divisas externas em moeda forte, e a crise se aprofundou ainda mais, pois o país não conseguia mais pagar suas importações.[2]

A situação torna-se desesperadora quando em 1986 ocorre o acidente na usina nuclear em Chernobyl, na Ucrânia. Além dos custos imediatos, o vazamento de radiação contaminou a produção agrícola de grãos da Ucrânia, considerada o "celeiro agrícola da União Soviética". A URSS passou a ter que importar comida e não tinha recursos econômicos para isso. Em uma economia rigidamente planejada isto significou o racionamento de alimentos básicos como pão. A situação de crise profunda abria caminho para o colapso.

A tentativa de modernização acelerada da perestroika e da glasnost viria como proposta "salvadora" de Gorbatchov, mas não conseguiria mais reverter a crise.

[editar] A tentativa de modernização

Mikhail Gorbatchov foi o último dirigente soviético. Assumiu o cargo de secretário-geral da PCUS (Partido Comunista da União Soviética) em março de 1985, substituindo Konstantin Tchernenko, que faleceu naquele ano. O bom relacionamento com os membros do partido e a habilidade política foram fatores que credenciaram Gorbatchov a assumir o posto mais importante na hierarquia administrativa soviética. Defensor de idéias modernizantes, instituiu dois projetos inovadores: a perestroika (reconstrução econômica) e a glasnost (transparência política).

A Perestroika, que teve início em 1986, foi concebida para introduzir um novo dinamismo na economia soviética, que passava por sérios problemas. Para que os setores econômicos do país tivessem uma expansão qualitativa e quantitativa, foram introduzidos mecanismos para estimular a livre concorrência (e acabar com o monopólio estatal), desenvolver setores secundários de produção (bens de consumo e serviços não-essenciais) através da iniciativa privada e descentralizar as operações empresariais. No campo, foi estimulada a criação de cooperativas por grupos familiares e arrendamento de terras estatais. A proposta também foi incentivar empresas estrangeiras a atuarem no país.

Na área política e social, a Glasnost pretendeu colocar novos paradigmas no modo de vida soviético. Para que a União Soviética tivesse um desenvolvimento forte e profícuo, era necessário colocar uma nova mentalidade em todos os segmentos da sociedade. Assim, a proposta foi de acabar com a burocracia política, combater a corrupção e introduzir a democracia em todos os níveis de participação política. A glasnost também libertou dissidentes políticos e permitiu a liberdade de imprensa e expressão.


[editar] O fim da Guerra Fria e o colapso da União Soviética

Entre 1987 e 1988 a URSS abdica de continuar a corrida armamentista com os Estados Unidos, assinando uma nova série de acordos de limitação de armas estratégicas e convencionais. A URSS inicia a retirada do Afeganistão e começa a reduzir a presença militar na Europa Oriental. O governo soviético pressiona aliados pela negociação de paz em conflitos como a Guerra Civil Angolana, onde os termos para o fim do conflito são estabelecidos em acordo com os EUA, Angola, Cuba e África do Sul. Esta nova postura também significou a redução de todas as formas de apoio (político, financeiro e comercial) que esta potência dava a regimes aliados em todo o mundo.

No plano interno, Gorbatchov enfrentou grandes resistências da oligarquia e dos burocratas partidários (os apparatchiks). A linha dura do partido via a postura de Gorbatchov no plano internacional como covarde e acusava-o de trair a URSS e o socialismo. Estes grupos eram contra a retirada do Afeganistão e defendiam que a URSS deveria intervir nos países da Europa Oriental que estavam passando por processos de democratização e abandonavam o socialismo, como a Polônia. Em 1991, setores mais belicistas do governo soviético defenderam que a URSS deveria ter apoiado o Iraque na Guerra do Golfo contra a coalizão de países liderada pelos Estados Unidos e passaram a criticar o governo Gorbatchov como fraco.

Gorbachov acabou destituído quando as repúblicas, lideradas pela Rússia já então dirigida por um antigo apparatchik de nome Boris Iéltsin, se rebelaram contra o governo central em Agosto de 1991. Esta tentativa de golpe de estado por parte da linha-dura do PCUS (incluindo Boris Pugo) foi fracassada por causa da resistência dos reformistas do Partido e pela resistência popular. Os novos líderes eleitos nas eleições de 1990, como Bóris Iéltsin lideram a resistência no plano regional, o que aprofunda as divergências entre o Estado Soviético (a União) e as Repúblicas. A derrota do golpe e o caos político que se seguiu agravou o separatismo regional e acabou levando à fragmentação do país (com 12 das 15 repúblicas declarando independência até dezembro). Gorbatchov declara oficialmente o fim da URSS na noite de natal de 25 de dezembro de 1991.

[editar] Legado Militar

A União Soviética produziu equipamentos militares que são usados e reverenciados até os tempos atuais. Entre eles estão o fuzil AK-47 e o caça MiG-29. Deixou também uma grande quantidade de bombas atômicas à Federação Russa que especula-se manter em estoque 37 ogivas apenas herdadas do regime soviético. A estrutura física militar da Russia é em sua maioria também herdada do antigo regime. Deixou também muita sucata o que levanta debates em ecologistas em como armas químicas e biológicas são dispensadas no meio ambiente.

[editar] Política

O governo da União Soviética implementava as decisões tomadas pela principal instituição política do país, o Partido Comunista da União Soviética (PCUS).

No final dos anos 1980, o governo parecia ter muito em comum com os sistemas políticos das democracias liberais. Por exemplo, a constituição soviética estabelecia todas as instituições do governo e concedia aos cidadãos uma série de direitos políticos e civis. Uma casa legislativa, o Congresso dos Deputados do Povo, e sua comissão legislativa permanente, o Soviete Supremo, representavam o princípio da soberania popular. O Soviete Supremo, cujo presidente eleito servia de chefe de Estado, supervisionava o Conselho de Ministros, que exercia o poder Executivo. O presidente do Conselho de Ministros, cujo nome era aprovado pelo Soviete Supremo, por sua vez, atuava como chefe de Governo. O poder Judiciário, previsto na constituição, era formado por um sistema de tribunais encabeçado pela Suprema Corte. Conforme a constituição soviética de 1977, o governo possuía uma estrutura federativa, o que dava às repúblicas certa autonomia quanto à implementação de políticas e oferecia às minorias nacionais uma aparente participação na administração de seus próprios assuntos.

Na prática, porém, o governo diferia consideravelmente dos sistemas ocidentais. No final dos anos 1980, o PCUS exercia muitas das funções geralmente atribuídas aos governos de outros países. Por exemplo, o partido decidia as políticas a serem aplicadas pelo governo. Este apenas ratificava as decisões do partido de modo a conferir-lhes uma aura de legitimidade.

[editar] Líderes da União Soviética

[editar] Feriados

Data Nome em português Nome local Observações
1º de janeiro Ano Novo Новый Год Início do novo ano civil
23 de fevereiro Dia do Exército Vermelho День Советской Армии и Военно-Морского Флота Revolução de Fevereiro (1917) e Formação do Exército Vermelho (1918)
Atualmente é chamado de День Защитника Отечества
8 de março Dia Internacional da Mulher Международный Женский День
12 de abril Dia do Cosmonauta День космонавтики O dia que Yuri Gagarin se tornou o primeiro homem no espaço, em 1961
1º de maio Dia do Trabalho Первое Мая - День Солидарности Трудящихся
9 de maio Dia da Vitória День Победы Fim da Segunda Guerra Mundial, marcada pela conquista soviética da Alemanha nazista em 1945
7 de outubro Dia da Constituição da URSS День Конституции СССР Dia em que a constituição de 1977 foi aprovada
7 de novembro Revolução Socialista do Grande Outubro Седьмое Ноября Revolução de Outubro (1917). Era chamado День Примирения и Согласия

[editar] Hinos

[editar] Nomes oficiais

Os nomes oficiais da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas nos diversos idiomas das repúblicas integrantes:

Idioma Abreviatura Nome Nome resumido
Russo СССР Союз Советских Социалистических Республик Советский Союз
Ucraniano СРСР Союз Радянських Соціалістичних Республік Радянський Союз
Bielorrusso СССР Саюз Савецкіх Сацыялістычных Рэспублік Савецкі Саюз
Uzbeque СССИ Совет Социалистик Республикалари Иттифоқи Совет Иттифоқи
Cazaque ССРО Советтік Социалистік Республикалар Одағы Советтер Одағы
Georgiano სსრკ საბჭოთა სოციალისტური რესპუბლიკების კავშირი საბჭოთა კავშირი
Azeri ССРИ Совет Сосиалист Республикалары Иттифагы Совет Иттифагы
Lituano TSRS Tarybų Socialistinių Respublikų Sąjunga Tarybų Sąjunga
Moldavo УРСС Униуня Републичилор Советиче Сочиалисте Униуня Советикэ
Letão PSRS Padomju Sociālistisko Republiku Savienība Padomju Savienība
Quirguiz ССРС Советтик Социалисттик Республикалар Союзу Советтер Союз
Tadjique ИҶСШ Иттиҳоди Ҷумҳуриҳои Сосиалистии Шӯравӣ Иттиҳоди Шӯравӣ
Arménio ՍՍՀՄ Սովետական Սոցիալիստական Հանրապետությունների Միություն Սովետական Միություն
Turcomeno ССРС Совет Социалистик Республикалар Союзы Совет Союзы
Estónio NSVL Nõukogude Sotsialistlike Vabariikide Liit Nõukogude Liit
Tártaro СССР Совет Социалистик Республикалар Союзы Советлар Союзы

Referências

[editar] Bibliografia

  • MEDEIROS, Carlos (2008) Desenvolvimento econômico e ascensão nacional: rupturas e transições na Rússia e na China. p. 173-273. in: FIORI, José L.; SERRANO, Franklin & MEDEIROS, Carlos A. (2008) O mito do colapso americano. Ed. Record: SP e RJ.

[editar] Ver também

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