Roteiro
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O roteiro (português brasileiro) ou argumento ou guião (português europeu) é a forma escrita de qualquer espetáculo audiovisual, escrito por um ou vários profissionais que são chamados de roteiristas (argumentistas ou guionistas).
A descrição objetiva das cenas, sequências e diálogos entre as personagens do espetáculo são partes essenciais do roteiro. O roteiro é atualmente utilizado para espetáculos como cinema, teatro ou programas de televisão. Cada um dos espetáculos antes elaborados em um roteiro, possuem seus tipos de roteiro, como, por exemplo, no teatro, onde o roteiro é dividido em atos e no cinema, onde são divididos em cenas.
O roteiro é um documento narrativo, orientando o que será visto e/ou escutado durante o espetáculo. Não se assemelha a uma obra literária, exceto quando o roteiro é o chamado roteiro literário, onde o roteirista apenas desenvolve as ações e as falas, jamais as indicações técnicas. As indicações técnicas - posicionamento de câmeras, luzes, cortes, efeitos audiovisuais - são desenvolvidas numa fase geralmente produzida pelo diretor do espetáculo, e aí o roteiro é normalmente chamado de roteiro técnico, onde o diretor funde esses dois tipos de roteiro. Esse tipo de processo é mais utilizado em filmes.
Um dos maiores erros dos roteiristas iniciantes é incluir as emoções das suas personagens dentro de um roteiro. Seja qual for o tipo de arte que esteja lidando, o roteirista não pode, em momento algum, incluir o sentimento de suas personagens. Um exemplo para este erro é afirmar: Luiza chora lágrimas amargas ou até mesmo Ele está com uma raiva em seu peito. São erros, pois no roteiro apenas se descreve o que está sendo visto. O próprio ator poderá incrementar as emoções, visto que é o artista responsável pela dramatização.
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[editar] Roteiro no cinema
No cinema o roteiro é a base do filme, a parte prima que nasce antes de toda a obra. De acordo com Syd Field, um roteirista e consultor de Hollywood, um bom roteiro apresenta três partes essenciais que precisam estar bem desenvolvidas: personagem, estrutura e enredo, sendo este dividido da seguinte forma: Parte 1; seria esta a introdução do filme, delimitando os personagens e suas ações, aí vem o primeiro ponto de virada, onde se passa para a Parte 2; desenvolvimento do filme, a confrontação, que se divide (através do ponto central) em duas partes. Por último temos a Parte 3; define o filme, o desfecho da história, lembrando sempre que este se trata de um roteiro clássico, mas podem existir modificações, onde se pode trabalhar do final para o início, ou do meio para o fim e depois para o início, ou vice-versa, já que no cinema isso é totalmente possível.
Um roteiro de cinema pode ser definido como uma tentativa sistemática e ordenada para prever o futuro filme. É uma previsão que na prática se concretiza em um manuscrito contendo a descrição, cena por cena, enquadramento por enquadramento e das soluções de todos os problemas técnicos e artísticos que se prevê para a realização do filme.
No Brasil, o roteirista Doc Comparato, que trabalhou na Rede Globo, foi um dos pioneiros no ramo, e escreveu um livro "Roteiro" (mais tarde relançado como "Da Criação ao Roteiro") que é um manual de escrita para televisão, historicamente importante por ter sido o primeiro no Brasil.
[editar] Tipos de produção do roteiro
Há dois meios para um novo roteiro surgir: partindo da vontade de um roteirista de escrever um roteiro e vender sua obra para um produtor cinematográfico ou um estúdio de cinema que vá transformar aquilo em uma arte audiovisual; ou partindo de um projeto de uma grande empresa cinematográfica, onde existem profissionais empregados especialmente para o cargo de roteiristas.
Nos Estados Unidos, onde há uma série de roteiristas, existem organizações referentes à roteiristas. Como Hollywood é conhecida como a capital do cinema, não é errônea a afirmação de que surgem diversos roteiristas por lá a cada ano.
[editar] Argumento
O argumento, geralmente, é a primeira coisa a ser desenvolvida por um roteirista. É a idéia trabalhada sobre a qual se desenvolverá uma sequência de atos e acontecimentos, que constituirão, futuramente, o roteiro.
O roteiro é o texto do filme, geralmente que se originou no argumento, mas adaptado com falas e cenas, para ser filmado. É basicamente a transcrição da história de uma forma que possa ser montada e encenada.
Um exemplo de transcrição de um argumento para um roteiro:
Alan vive triste e agora quer sua mulher novamente.
Alan entra na sala, com uma expressão triste. Dirige-se até o sofá. Conseguimos ver uma fotografia sobre o sofá. Alan agacha-se e pega a fotografia, trazendo sobre seu tórax. Depois olha a fotografia, enquanto chora. Vemos que a foto é de sua mulher.
O argumento é muitas vezes visto como a sinopse, mas não é. A sinopse de um espetáculo possui pouquissimas linhas (15 ou menos), enquanto alguns autores afirmam que, para cada página de argumento, corresponde a dez de um roteiro.
[editar] Softwares de roteiros
Os softwares de roteiros são programas para microcomputadores. Processadores de texto especialmente criados para a substituição da máquina de escrever e facilitação do processo de escrita de um roteiro, esses softwares tornam-se cada vez mais populares entre usuários de computador.
Hoje em dia, é possível encontrar esses editores gratuitamente pela Internet, para diferentes sistemas operacionais. O software mais conhecido entre brasileiros e portugueses é o Celtx, que possui inúmeras funções para roteiristas e pode ser encontrado em versões gratuitas.
Existem também disponibilizados gratuitamente templates para editores de texto conhecidos (como o Microsoft Word), que ajudam na formatação de arquivos para atender aos padrões técnicos de um roteiro profissional.
[editar] Ver também
- Oscar de melhor roteiro original
- Oscar de melhor roteiro adaptado
- Celtx
- Dramaturgia
- Cinema
- Teatro
- Narratologia
- Memorando de Vogler
[editar] Ligações externas
- Maior site brasileiro sobre o assunto. Com biblioteca de roteiros brasileiros para leitura online, manuais online, livros sobre o assunto, notícias, softwares para baixar, grupos de discussão e artigos sobre roteiros e cinema
- Roteiros de filmes famosos, premiados e até os que não causaram muito estouro, gratuitamente para serem lidos
- A diferença entre o argumento e o roteiro em si
[editar] Fontes
- BRUNI, Roman. Roteiro de Roteiro. Rio de Janeiro: 3a edição independente, 2005. 60 p.
- CARRIÈRE, Jean-Claude. BONITZER, Pascal. Prática do Roteiro Cinematográfico. São Paulo: JSN, 1996. 144 p.
- CHION, Michel. O Roteiro de Cinema. São Paulo: Martins Fontes, 1986. 288 p.
- COMPARATO, Doc. Roteiro. Rio de Janeiro: Nórdica, 1984. 264 p.
- FIELD, Syd. Manual do Roteiro. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995. 226 p.
- FIELD, Syd. Os Exercícios do Roteirista. Rio de Janeiro: Objetiva, 1996. 180 p.
- FIELD, Syd. Quatro Roteiros: uma Análise de Quatro Inovadores. Rio de Janeiro: Objetiva, 1997. 376 p.
- GARCÍA MÁRQUEZ, Gabriel. Como se Conta um Conto. Niterói: Casa Jorge Editorial, 1995. 308 p.
- GOSCIOLA, Vicente. Roteiro para as Novas Mídias. São Paulo: Senac, 2003. 271 p.
- HILLIARD, Robert L.. Guionismo para radio, televisión y nuevos medios. Cidade do México: Thomson International, 1999. 466 p.
- HOWARD, David. MABLEY, Edward. Teoria e Prática do Roteiro. São Paulo: Globo, 1999. 408 p.
- MACIEL, Luiz Carlos. O Poder do Clímax - Fundamentos do Roteiro de Cinema e TV. Rio de Janeiro: Record, 2003. 138 p.
- MEADOWS, Eliane. Roteiro para TV, Cinema e Vídeo em 10 Etapas: Arte e Técnica. Rio de Janeiro: Quartet, 2003. 116 p.
- MOSS, Hugo. Como formatar o seu roteiro - um pequeno guia de Master Scenes. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2002. 32 p.
- NOGUEIRA, Lisandro. O Autor na Televisão. Goiânia: UFG/São Paulo: EdUSP, 2002. 147 p.
- REY, Marcos. O Roteirista Profissional - Televisão e Cinema. São Paulo: Ática, 2001. 144 p.
- SABOYA, Jackson. Manual do Autor-Roteirista. Rio de Janeiro: Record, 2001. 293 p.
- SARAIVA, Leandro. CANNITO, Newton. Manual de Roteiro. São Paulo: Conrad, 2004. 232 p.
- VOGLER, Christopher. A Jornada do Escritor. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006. 446 p.